Quebrando o Silêncio

Campanha 2022

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Alguma vez você se sentiu ameaçado e desvalorizado? Conhece alguém que tenha sido intimidado, manipulado, constrangido, humilhado e que permanece sob constante vigilância? Independentemente da sua resposta, ative seu sinal de alerta para a violência psicológica.

Aparentemente invisível, esse tipo de abuso é sutil e traiçoeiro. Nem sempre percebido pela vítima, muitas vezes ele é negado pelo agressor e justificado como excesso de cuidado. No entanto, a violência psicológica é real, tem efeito devastador, limita o desenvolvimento e compromete a realização pessoal. Mesmo sendo silenciosa, seus índices são mais recorrentes e alarmantes nas pesquisas do que as taxas da própria violência física. Isso porque o abuso psicológico costuma anteceder o físico e deixar marcas profundas na alma.

Não faz muito tempo que vi os resultados da violência psicológica na rotina da Bia (pseudônimo), uma profissional talentosa que vivenciou esse tipo de sofrimento por dois anos no trabalho. Ela ouvia palavras ríspidas do seu chefe, que costumava se dirigir a ela com uma atitude intimidadora.

Bia suportou humilhações e insultos, porque temia perder o emprego. Depois de vivenciar repetidamente o medo e o desespero, ela passou a experimentar ansiedade, insônia, taquicardia e um processo depressivo que esgotou sua alegria de viver. Por insistência de sua irmã, Bia buscou ajuda psicológica. Porém, a recuperação veio somente após um ano de intervenção profissional, processo que lhe mostrou que era possível quebrar aquele ciclo de violência e enxergar luz no fim do túnel.

Muitas pessoas se tornam reféns da violência psicológica porque dependem emocional e/ou financeiramente do agressor. Logo, mulheres, crianças e idosos são os mais afetados por esse tipo de abuso. Por isso, ao perceber que alguém está em perigo, é importante aproximar-se cuidadosamente, acolher, ten-tar dialogar e indicar ajuda profissional. Mas, se é você que está vivendo isso, não hesite e denuncie! O silêncio pode custar sua vida.

Na Bíblia, o texto de Isaías 1:17 (NVI) nos desafia: “Aprendam a fazer o bem! Bus-quem a justiça, acabem com a opressão.” Vale lembrar que fazer o bem é algo que se aprende e que começa em casa.

Há 20 anos, a campanha Quebrando o Silêncio ajuda no combate à violência e na construção de famílias emocionalmente mais saudáveis. More você na Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru ou Uruguai, que seu lar seja um ambiente seguro, servindo de refúgio para seus familiares e para quem buscar acolhimento. Que nossa voz quebre o silêncio em favor dos oprimidos. Que haja mais amor em nosso convívio!


JEANETE LIMA é educadora e coordenadora do Quebrando o Silêncio na América do Sul.

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