QUANDO O AGRESSOR SEXUAL É TRATADO…

O agressor sexual, também chamado de vitimizador sexual, ao contrário do que se pensava, não é um desconhecido à espera do alvo. A maioria deles são conhecidos, principalmente parentes, namorados ou amigos da vítima.

As principais características do vitimizador são: histórico de violência intrafamiliar, relações interpessoais conflituosas, abandono familiar, baixa escolaridade e incidência do uso de álcool e drogas. Em se tratando de características psicológicas, apresentam maior índice de agressividade, impulsividade e baixa tolerância à frustração. Quanto ao nível de sanidade mental sobre a ação, 70,4% são considerados completamente responsáveis pelo ato, 18,2% parcialmente responsáveis, e 11,4% não responsáveis, por motivo de insanidade. Apenas 4% apresenta algum transtorno mental severo . A maioria deles trabalha, sustenta a família e são socialmente produtivos.

Ao cometer um crime, é necessário que sejam punidos e cumpram pena. Por outro lado, os dados apresentados indicam também a necessidade de programas específicos para os agressores, com o objetivo de prevenir a reincidência – frequente principalmente em vitimizadores acima de 40 anos – de novos casos de violência sexual ao saírem do sistema prisional. Os estudos indicam que apenas em casos de psicopatia o tratamento é pouco eficaz mas, para a maioria, por meio de intervenção adequada, é possível a prevenção e consequente diminuição desse tipo de violência.

As formas tradicionais de intervenções junto aos agressores sexuais são: tratamento medicamentoso associado à psicoterapia e intervenções psicológicas. Nos Estados Unidos, há pelo menos trinta anos já existem programas de “tratamento” para o agressor. No Brasil, uma nova estratégia de intervenção junto aos vitimizadores sexuais entrou em vigor a partir de 2006 com a Lei Maria da Penha. O foco de trabalho destes programas de recuperação e reeducação visam:
(1) trazer o agressor para a reflexão e conscientização de que se trata de um crime
(2) assumir a responsabilização do ato que ocasiona sérios prejuízos à vítima
(3) identificar comportamentos de risco que podem gerar reincidência.

Vale ressaltar que, devido a maioria dos agressores sexuais fazerem parte do ciclo familiar, alguns destes programas também tem inserido a família neste processo em um dado momento da intervenção, para que possa ser trabalhada a dinâmica familiar disfuncional geradora de abuso. As principais características de famílias em situações de violência sexual são: relações de poder dos pais sobre os filhos e do homem sobre a mulher, negligência, violência física e psicológica, uso ou abuso de drogas e dificuldade de comunicação entre os membros. Em termos emocionais, os sentimentos presentes nestas famílias são: tristeza, vergonha, angústia, falta de proteção e apoio, medo e preocupação. A inserção da família no processo é fundamental para a construção de uma dinâmica familiar livre de violência .

Quando a intervenção também ocorre com o agressor e a família, o ciclo de repetição da violência familiar é rompido e, não só a vítima passa a ser protegida, mas futuras vítimas e até mesmo a comunidade passa a estar mais protegida desse tipo de violência.

Simone Bohry Trimestral, Psicóloga
Mestre em Psicologia Clínica e Cultura
Especialização em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo Comportamental