FAMÍLIA E ESCOLA UNIDAS CONTRA O SUICÍDIO

Quem quer se matar avisa!

O aumento significativo de vítimas de suicídio, especialmente entre crianças e jovens revelam a importância do estudo e discussão do tema que deve ser entendido por educadores, familiares e toda sociedade.

Seja motivado pela depressão ou por razões morais, éticas e até mesmo religiosas, quem quer se matar avisa através de sinais muitas vezes sutis e em outros casos muito claros que devem ser cada vez mais entendidos e que podem ajudar na prevenção do suicídio.

Ao longo da vida é comum querer morrer, principalmente na fase da adolescência, entretanto entre o querer e o executar existe uma distância enorme. Em geral o tema é tratado de forma negligente e é comum ouvir a expressão “quem quer se matar não avisa”. A questão é: porque a adolescência é uma fase de risco? Isso ocorre devido as grandes transformações marcadas por explosões hormonais que alteram significativamente o humor. Aprender a lidar com esse carrossel de emoções associados aos desafios diários como obrigações escolares, frustrações afetivas, conflitos familiares e ressignificação da autoimagem que impactam na autoestima, são muitas das vezes percebidos como intransponíveis pelos jovens. Além disso, atualmente a propagação de jogos e séries de televisão abordando o tema de forma leviana são fatores de preocupação para os pais.

Outra negligência comum de se observar é a atenção a saúde mental. Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio estão associados a enfermidades mentais como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, entre outros. Em geral, no entanto, ao longo da vida muitos nem sequer pensaram na possibilidade de fazer uma avaliação de sua saúde mental ou de levar o filho para uma consulta com psiquiatra ou psicólogo.

A revista da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional de setembro de 2015, apresenta um levantamento bibliográfico que destaca os principais fatores de ideação suicida entre os adolescentes pesquisados em todas as regiões do Brasil, dentre eles destacam-se com maiores índices:

  • 34,3% Sintomas depressivos, ansiedade;
  • 43,3% Idade, impulsividade, baixa autoestima, problemas de coesão familiar;
  • 39,3% Disfunção familiar, migração materna;
  • 47,0% Pouca comunicação com pais, sintomas depressivos, consumo de álcool e drogas, ansiedade.

Um dado que também merece destaque se refere as conturbações familiares. Eles apontam que em uma sociedade cada vez mais acelerada, vazia em sentidos, objetivos e expectativas para o futuro diante da secularização e do materialismo, a família particularmente sofreu uma desconstrução que fragiliza os vínculos e expõe um empobrecimento emocional com destaque para a valorização do individualismo.

O que os estudos destacam como fator de prevenção é o esclarecimento do assunto, as campanhas envolvem conscientizar acerca da importância que deve ser dada aos sinais como mudanças de comportamento significativa, organização de assuntos financeiros ou outros de forma sistematizada, postagens e orientações quanto ao futuro, dando sinal de que o sujeito não se vê lá, distanciamento da realidade e principalmente de um comportamento depressivo para uma normalidade abrupta. São necessárias forças para executar um ato suicida e, portanto, muitas vezes o indivíduo reúne todos os recursos emocionais que tem para concretizar.

É muito importante, em qualquer situação, que pais de crianças ou adolescentes com ideias suicidas busquem imediatamente ajuda profissional. Em geral, nestes casos, recomenda-se que toda família deve se submeter ao acompanhamento, afinal, a família enquanto organismo, ao perceber que um membro apresenta sinais de enfermidade precisa fazer uma investigação dos fatos desencadeadores desta problemática. Também é indispensável verificar se existem fatores no ambiente escolar que estejam contribuindo para a tristeza e desapego à vida como bullying ou dificuldades de aprendizagem que amplifiquem a angústia e desesperança da criança, portanto a atenção da equipe escolar também se demonstra importante para auxiliar a família.

Recomenda-se ainda que a família e a escola se unam na tentativa de auxiliar a criança ou adolescente com ideias suicidas, buscando hábitos mais saudáveis que promovam o relacionamento interpessoal positivo, comunicação aberta, ambiente acolhedor e rico em manifestação de amor e aceitação. Fortalecer desde pequeno a resistência a frustração aumentando assim a tolerância diante das adversidades da vida será um preventivo para depressão.

Acima de tudo, é indispensável desenvolver também a espiritualidade, esta tem se demonstrado em todos os estudos relacionados ao assunto de saúde mental como sendo eficaz na recuperação da esperança como recurso para desenvolver expectativas quanto ao futuro, melhora e cura. Conduzir essas pessoas à Deus e mostrar-lhes, por meio dos Escritos Sagrados, que a vida pertence ao Senhor e que Nele é possível encontrar socorro e conforto é potencialmente eficaz na melhora dos pensamentos em relação ao futuro. Aqueles que desenvolvem confiança no Soberano do Universo podem depositar seu futuro em suas mãos e aceitar os desígnios para sua vida.

 

EMMANUELLE HERADITA é psicóloga educacional